O que aconteceu: a sequência documentada
Final de junho/início de julho de 1947: Tempestade intensa atinge o condado de Lincoln, Novo México. O 7 de julho, Mac Brazel, criador da fazenda Foster, descobriu destroços espalhados por aproximadamente 1,2 km² em um campo. Os detritos incluem pedaços de um material leve e altamente durável, semelhante à folha de alumínio reforçada – que volta à forma após a deformação – e grudados com hieróglifos.
Le 8 de julho às 17h26., o gabinete de informação da Campo Aéreo do Exército de Roswell (RAAF) emite o seguinte comunicado de imprensa:
“Os muitos rumores sobre o disco voador tornaram-se realidade ontem, quando o escritório de inteligência do 509º Grupo de Bombardeio, 8ª Força Aérea, baseado no Campo Aéreo do Exército de Roswell, teve a sorte de obter tal disco através da cooperação de um fazendeiro local e do Gabinete do Xerife do Condado de Chaves. »
Documento fonte (PT): “Os muitos rumores sobre o disco voador tornaram-se realidade ontem, quando o gabinete de inteligência do 509º Grupo de Bombardeios da Oitava Força Aérea, Campo Aéreo do Exército de Roswell, teve a sorte de obter a posse de um disco através da cooperação de um dos fazendeiros locais e do gabinete do xerife do condado de Chaves. »
— Comunicado oficial da RAAF, 8 de julho de 1947, transmitido pela Associated Press
É este comunicado de imprensa, escrito pelo Tenente Walter Topo e aprovado pelo Coronel William Blanchard, Comandante da RAAF, que iniciou o Caso Roswell.
A contraordem: “balão meteorológico”
Poucas horas depois do comunicado de imprensa inicial, o Brigadeiro-General Roger Ramey, comandante da 8ª Força Aérea em Fort Worth (Texas), dá entrevista coletiva e apresenta destroços que identifica como de um Balão meteorológico com sensor Rawin. Fotos tiradas naquele dia mostram Ramey e o Brigadeiro-General Thomas Du Bose segurando os restos de um balão de metal e seu refletor de radar.
O principal Jessé Marcelo, um oficial de inteligência da RAAF que inspecionou o local e recuperou os destroços, declararia décadas depois que os destroços apresentados em Fort Worth não foram os que ele recuperou. Marcel será uma das primeiras testemunhas a falar publicamente, na década de 1970, durante o ressurgimento do interesse por Roswell.
⚠ A questão central do substituto
Se os destroços apresentados em Fort Worth eram de facto um balão meteorológico, porque é que a RAAF emitiu pela primeira vez um comunicado de imprensa referindo-se a ele como um “disco voador”? Um balão meteorológico é imediatamente identificável para qualquer técnico básico – muito menos para um oficial de inteligência do 509º Grupo de Bombardeios, a unidade que lançou as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki dois anos antes.
O relatório da USAF de 1994: Projeto Mogul
Em 1994, o Escritório de Contabilidade Geral (GAO) — a pedido do Representante Steven Schiff (Novo México) — mandata a USAF para conduzir uma investigação abrangente. O relatório, “O Relatório Roswell: Fato versus Ficção no Deserto do Novo México” (995 páginas), foi publicado em 1994.
Conclusão principal: os destroços eram do Magnata do Projeto, um programa classificado de balões de alta altitude destinado a monitorar os testes nucleares soviéticos via infra-som. O trem 4 (voo 4) de balões Mogul foi encontrado desaparecido dos arquivos – corresponde às datas e à área geográfica.
✓ O que o relatório estabelece
- O Projeto Mogul foi classificado em 1947 – daí a impossibilidade de dar a verdadeira explicação ao público.
- Os materiais "incomuns" (refletores de radar de alumínio com símbolos) correspondem aos componentes Mogul.
- O voo Mogul 4 não foi encontrado nos registros – consistente com um acidente em Roswell.
✗ O que o relatório não resolve
- Mac Brazel e Jesse Marcel descreveram materiais que não correspondiam a um balão: resistência mecânica anormal, retorno elástico, inscrições desconhecidas.
- O relatório de 1994 não aborda as evidências de corpos recuperados – a USAF publicou um segundo relatório em 1997 para explicá-los (manequins de testes de colisão, programa High Dive). Esses manequins só foram introduzidos em 1953 – seis anos após o fato.
- O GAO descobriu que os registros da RAAF para o período de julho de 1947 tinha sido destruído — fora dos procedimentos normais de detenção.
O que os registros do GAO revelaram
A investigação do GAO de 1994 proporcionou acesso a registos que nenhum civil tinha visto. Entre as descobertas:
- O Diários administrativos da RAAF de julho de 1947 foram destruídos em data desconhecida, fora dos procedimentos legais de conservação.
- As comunicações de entrada e saída da RAAF para o mesmo período foram “permanentemente destruído” de acordo com um memorando da Força Aérea.
- Arquivos do Gabinete de Sinais da RAAF: destruídos.
O GAO concluiu no seu relatório de 1995 que estas destruições foram irregular mas que a sua razão já não pode ser estabelecida. Para um incidente cuja versão oficial é “um simples balão meteorológico”, o desaparecimento sistemático dos arquivos da RAAF durante o período em questão alimentou 78 anos de especulação.
Fontes e leituras adicionais
- USAF - O Relatório Roswell: Fato versus Ficção no Deserto do Novo México, 1994 (995 p.) - https://www.af.mil/
- USAF - O Relatório Roswell: Caso encerrado, 1997
- Escritório de Contabilidade Geral — GAO/NSIAD-95-187: Resultados de uma busca por registros relativos ao acidente de 1947 perto de Roswell, Novo México, julho de 1995
- Comunicado da RAAF, 8 de julho de 1947 — Arquivos da Associated Press
- Carlos Moore - Magnata do Projeto, Boletim de História da Física, AIP
- Karl Pflock- Roswell: fatos inconvenientes e a vontade de acreditar, Livros Prometeu, 2001
- Stanton Friedman, Don Berliner – Acidente em Corona, Marlowe & Companhia, 1992